sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

FECHADO PARA BALANÇO.


MUITO BRILHO, MUITO PAPEL PICADO, FOGOS ILUMINAM A ENTRADA DO NOVO ANO, CHAMPANGNE, ROUPA BRANCA E TODAS ESSAS SIMPATIAS IDIOTAS QUE MUITOS “CRENTES” ACABAM CAINDO TAMBÉM.
MAIS É TEMPO DE BALANÇO, E tem gente que fica deprimido, pois antes mesmo de começar o bendito balanço, já sabe que fechou no negativo e não adianta chorar, desiste e pára tudo, entra em desespero e não dá prosseguimento. E isso não é privilégio de poucos não, muitos já estão preocupados com seus balanços pessoais, querem esconder ou justificar, desculpa daqui, desculpa dali.
O caso é tão sério que tem gente que prefere a declaração do imposto de renda, com malha fina e tudo, ao balanço das ações do ano. Tem gente que fez muita coisa na barganha e acha que tá legal. Tem gente que pagou promessa e diz que cumpriu a missão, o Santo que fez o milagre não conta!
Claro, ocorrem inúmeros equívocos, uns acham que o saldo da conta corrente é o que conta, que o carro novo é que dá a medida, que a casa de praia nova justifica o ano, que as namoradas que conquistou estão no crédito. Mas têm outros que já sabem que nada fica pra depois e que muita coisa é pagamento de débito vencido, descontou a promissória antes de saber que podia pagar... E aí, procuram os ajustes morais, tipo o material para compensar o moral. Um agradozinho aqui, um presentinho ali, UM CONVITE PARA O REVELLION, UMAS FÉRIAS JUNTOS E ASSIM SE TENTA SAIR DO NEGATIVO E QUEM SABE SOBRA AINDA UM SALDO POSITIVO.
NO FINAL DE TUDO ACABAMOS CONCLUINDO QUE FULANO É QUE É FELIZ, POR ISSO... E ESSE MOTIVO..., DIFICILMENTE CHEGA-SE AO FINAL DO BALANÇO COM LOUVORES, LEIA COM ATENÇÃO A SEGUINTE ESTÓRIA QUE BEM PODE SER A MINHA E SUA HISTÓRIA:

O dia havia apenas amanhecido e o agricultor solitário já estava capinando a lavoura. Aquele seria, como outros tantos, um dia de trabalhos árduos de sol a sol. Ele sulcava o solo e ao mesmo tempo pensava na vida. Como era difícil a sua luta diária para sustentar a família. Algumas vezes se surpreendeu questionando a justiça divina, que o escolhera para o trabalho duro enquanto privilegiava outros com tarefas leves e agradáveis. O sol já ia alto quando ele, cansado, tirou o chapéu e limpou o suor que escorria pelo rosto. Apoiou o braço sobre o cabo da enxada e se deteve a olhar ao redor por alguns instantes. Ao longe se podia ver a rodovia que cruzava as plantações e ele avistou um ônibus que transitava pelas cercanias. Imediatamente pensou consigo mesmo:

- Vida boa deve ser a daquele motorista de ônibus. Trabalha sentado, e sem muito esforço conduz muita gente a vários destinos. Não toma chuva nem sol e ainda de quebra deve ouvir uma musiquinha para se distrair.

De fato o motorista trabalha sentado e não está sujeito às intempéries. Todavia, o motorista ao ser ultrapassado por um automóvel de passeio, começou a pensar de si para si:
- Vida boa mesmo deve ser a desse executivo, dirigindo um carrão de luxo! Não tem patrão para lhe cobrar horário nem tem que passar dias na estrada como eu, longe de casa e da família.

No entanto, logo à frente o executivo pensava em como era difícil a sua correria diária. As preocupações com os negócios, as viagens longas, as reuniões intermináveis, o salário dos empregados no final do mês, os impostos, aplicações, investimentos e outras tantas coisas para resolver. Mergulhado em seus pensamentos, olhou para o céu e avistou um avião que cruzava os ares, e disse como quem tinha Certeza:

- Vida boa é a de piloto de avião. Conhece o mundo inteiro de graça, não precisa enfrentar esse Trânsito infernal e o salário é compensador.

Dentro da cabina da aeronave estava um homem a pensar nos seus próprios problemas:
- Como é dura a vida que eu levo. Semanas longe da esposa, dos filhos, dos amigos. Vivo mais tempo no ar do que no solo e, para agravar, estou sempre preocupado com as centenas de pessoas que viajam sob minha responsabilidade. Nesse instante, um ponto escuro no solo lhe chamou atenção:
Observou atentamente e percebeu que era um homem trabalhando na lavoura. Exclamou para si mesmo com certa melancolia:

- Ah como eu gostaria de estar no lugar daquele homem, trabalhando tranqüilamente em meio à vegetação e ouvindo o canto dos pássaros, sem Maiores preocupações! E ao final do dia voltar para casa, abraçar a esposa e os filhos, jantar e repousar serenamente ao lado daqueles que tanto ama. Isso sim é que é vida boa!

Viver é um grande desafio à inteligência humana e à capacidade do homem de florescer no lugar exato em que foi plantado.


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