domingo, 3 de maio de 2009

É NOSSO DEVER.


Muitas vezes me peguei pensando e acredito que muitos de nós também, que chegando ao céu faria algumas perguntas a Deus, mas na verdade acredito que nada tem a ver com questões mas sim explicações, nosso discurso de tirar dúvidas esconde mesmo uma inconformidade diante das coisas que vemos acontecer conosco e com as demais pessoas e a aparente passividade de Deus.

Devo sim admitir que me sinto dividido ao ver tanto sofrimento, creio que existem pessoas más, creio que existem pessoas boas, e até ai tudo bem que as más recebam do mal que produzem mas e as boas, que devo pensar ao ver um pai de família a mendigar pão para alimentar sua casa, o que dizer para mulher que vê seu corpo mutilado por causa do câncer, ou para família que viu o filho sendo arrastado,  por que?

Por que o pai sai em férias com a família e volta sem dois filhos, por que o homem vai ao estádio de futebol e retorna para casa em uma urna funerária, por que?

Por que vemos todos os dias pessoas e mais pessoas morrendo sem comida, famílias perdendo tudo por causa de enchentes ou por causa da seca, por que?

Houve uma época que esses sentimentos me incomodavam mais que hoje, isso porque houve um tempo que eu havia colocado Deus no banco dos réus e julgado culpado.

Hoje creio piamente que deve haver um lugar melhor que esse, há um céu, que segundo creio todo esse sofrimento terá um fim definitivo, então a morte não será o fim, mas apenas a porta de passagem para um mundo de glória e alegria inefável.  A única certeza que carregamos é a mesma proclamada no paraíso: “certamente morreras.” A partir daí essa é nossa única certeza que carregamos, mas ela, a morte, não nos assusta, pois será um divisor entre o sofrimento e o prazer.

Hoje creio que Deus nunca esteve e nunca ficou alheio ao nosso sofrimento, Ele nos amou e quando cogitava na criação entre a liberdade ou não, já havia decidido pela cruz, antes mesmo de nos criar Ele decidiu morrer. “Mas Deus prova seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo ainda nós pecadores.” É como se o soberano criador estivesse punindo em si mesmo o preço da liberdade que nos deu, ou seja se alguém deve morrer para que minha criação esteja definitivamente livre, que morra Eu. Assumindo assim o preço de sua decisão Ele provou seu total amor por nós, sentiu em si mesmo toda a dor do pecado, das mazelas, das dores dos pobres, dos injustiçados, dos perseguidos, dos caluniados, daqueles que não tem o que comer ou o que dar a seus filhos, na cruz Ele foi eu e foi você, na cruz Ele se permitiu ser ferido pelo pecado, na cruz Ele diz: não me julguem como quem ordena o mal, não, não sou eu quem prega na cruz, mas sou eu quem esta sendo pregado, aqui não sou causador.

Essa verdade faz brotar em mim uma solidariedade, as vezes mínima mas que pode fazer diferença na vida de quem sofre, então é meu dever deixar que o exemplo da cruz de Cristo transforme meu caráter a semelhança da qual fomos criados a fim de resgatarmos no meio dessa geração o primeiro ideal, hoje somos livre para recriar o paraíso, porque ainda hoje ecoa as palavras do criador: “Não façam, pois se fizerem, certamente morrerão.”

Não sei se vocês conseguem perceber o como são pequenos os nossos desejos quando apenas desejamos a cura do nosso corpo, quando apenas desejamos a ação de Deus em torno dos nossos problemas? Temos urgência em resgatar em nós o homem segundo a imagem de Deus, sim a imagem daquele que foi pendurado no madeiro por escolha própria, para tomar o lugar do pecador que toma posse do martelo e pregos e o sacrifica.

Que Deus nos ajude.

Reinaldo

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