quarta-feira, 6 de maio de 2009

AMAR


O vocábulo amor na língua portuguesa é bastante pobre entende-se habitualmente que o amor é uma poderosa emoção que implica uma intensa ligação a um objeto e uma grande valorização desse objeto.

Em algumas acepções, contudo, o amor não implica, de todo, emoção, mas somente um interesse ativo no bem-estar do objeto.

Noutras situações o amor é essencialmente uma relação que implica permutação e reciprocidade, mais propriamente que uma emoção.

Além disso, há muitas variedades de amor, incluindo o amor erótico-romântico, o amor da amizade e o amor filantrópico.

Culturas diferentes também admitem diferentes tipos de amor. O amor tem, igualmente, uma arqueologia complicada: porque tem fortes conexões com experiências de afeto precoces, pode existir na personalidade a diferentes níveis de profundidade e nitidez, apresentando problemas específicos para o autoconhecimento.

É um erro tentar fazer uma descrição excessivamente uniformizada de um tão complexo conjunto de fenômenos.

O amor tem sido entendido por muitos filósofos como fonte de grande riqueza e energia na vida humana. Mas mesmo aqueles que exaltam a sua contribuição têm-no visto como uma potencial ameaça à vida virtuosa, uma vez que ele é também uma linha bem tênue entre a raiva e o ódio e não poucas vezes se viu e ouviu que atos insanos foram cometidos em seu nome.

Entende-se frequentemente que o amor é uma emoção poderosa. Parece implicar quer uma intensa ligação a um objeto quer uma elevada valorização do objeto.

Muitas vezes, embora nem sempre, o objeto é visto como algo de que alguém necessita na sua própria vida; por esta razão, o amor é muitas vezes relacionado com projetos de posse ou incorporação, e com emoções ciumentas para com o objeto visto como independente e capaz de frustrar as necessidades do amante.

Pode-se, contudo, defender que o amor é uma emoção ou emoções, enquanto se insiste que estas emoções podem ser isentas de ciúme e desejo possessivo.

O amor não é apenas uma emoção: pode também ser um tipo de relação. O amor (da amizade) implica sempre conhecimento mútuo e benevolência recíproca.

Embora qualquer descrição do amor necessite de abrir caminho para amores que não são correspondidos, ou que são dirigidos para objetos que não podem retribuir ou que não podem fazê-lo tão claramente (como Deus), Com efeito, a recusa em conceber o amor em termos relacionais é uma deficiência central em muitos casos de amor erótico, nos quais o objeto amado é, de fato, tratado como um objeto a ser possuído e imobilizado.

Alguns amores podem não envolver, de modo algum, uma emoção forte. Kant (1797) insistiu que o "amor patológico" (amor que envolve uma emoção passiva) era inferior ao "amor prático", uma ligação ativa ao bem dos outros, incluindo emoções de respeito e preocupação. Quer concordemos quer não, devíamos reconhecer que este comprometimento prático ativo é um tipo de amor: o amor filantrópico, por exemplo, pode ser melhor entendido desta forma.

Tipos de amor

O amor erótico-romântico está estreitamente ligado ao desejo sexual, enquanto o amor da amizade aparentemente não está. A cultura grega antiga considerou que o eros era sexual, preocupado com a posse e potencialmente destrutivo; a philia, que podia prevalecer quer entre amigos quer entre parentes, era vista como mútua e recíproca, preocupada com o bem-estar, e uma força cultural positiva. A agape cristã é distinta de ambos estes amores pelo seu caráter essencialmente altruísta; o seu paradigma é a dádiva que Cristo fez da sua vida para a redenção da humanidade pecadora.

Podemos também classificar os amores pelo seu tipo de objeto. Nós amamos outras pessoas, e é razoável esperar que estes amores envolverão alguma reciprocidade e mutualidade. Os amores das pessoas pelos animais podem ser muito intensos; variam muito no tipo de reciprocidade que oferecem. As pessoas também amam intensamente objetos inanimados, como obras de arte e beleza natural. Tais amores não podem ser recíprocos. O amor também pode ter como objeto uma abstração moral, como a justiça social ou o bem da humanidade. Este tipo de amor é especialmente bem explicado, como algo que envolve um comprometimento ativo mais do que uma emoção, ou seja um desejo de amar.

É interessante observar que na grande maioria das vezes que encontramos a palavra amor nos evangelhos Jesus fazia referência ao seu amor ou ao amor de Deus, só mesmo Paulo se atreveu a caminhar alguns passos a mais para explorar esse território tão complexo, muito provavelmente devido a sua formação grega e já influenciado por grandes filósofos contemporâneos. Volta e meia tenho me deparado com aquelas pessoas que tentam se resguardar, dizendo: te amo em Cristo, ora é claro que Cristo veio realçar o valor do amor, é exatamente isso que Ele quer nos dizer quando proclama: amem uns aos outros, nisto conhecerão que são meus discípulos, na verdade somos convidados a sair de nossos esconderijos, é perfeitamente aceitável, direi louvável que possamos reconhecer que amamos as pessoas que vivem a nossa volta, destacando apenas que posso amar (philéo) o meu irmão, amar meu cônjuge (Eros) como posso amar a Deus (ágape), são formas distintas em que posso conjugar o verbo AMAR.

Eu posso amar você.

Reinaldo

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